Fim de tarde.. Praia de Alvor

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sem nome

És quadro que pinto ao meu agrado
E não posso dizer-te que não gosto,
pois minto,
Adoro o teu retrato....

Queria saber por ti quem sou,
Queria saber por mim quem és,
ter coragem de dizer-te "eu vou"
Mesmo sabendo,
que cada olhar seria um não,
tendo a certeza que sempre tens razão...
Queria apagar a distancia,
sentir a fragrância,
ultrapassar as marés.

És um navegador de almas sereno,
que as acolhes, que as rasgas,
que as agarras.
És infinitamente mais do que queria,
és miseravelmente menos do que tenho.
Porque te invento a cada instante???
Porque te construo assim altivo, talvez até petulante
ou serás apenas, doce, esquivo, indiferente????

Faço de ti o que desejo,
talvez cavaleiro andante
ou apenas homem
ser humano entre tantos outros....
semelhante.

De cada sorriso construo um cenário,
e de cada lagrima, um poema,
de cada noite um fadário,
de cada dia uma espera amena.
E as noites de Verão que partem
deixam na minha memória
palavras sem gosto,
fins de tarde em Agosto,
lagrimas que me caiem do rosto.

Es poesia..
és homem
és alguem que não conheço
mas que me apetece
que me aquece
que nao esqueço....

domingo, 29 de agosto de 2010

Tuas as palavras...

Palavras, escrevo-as na noite.
Sentidas, tingidas, ocultas
No escuro que fica,
quando tudo se apaga.
Olhando em vão
Não deslumbro a vida
escrevo e não sinto nada...

Vazia como a velha fonte
perdida no fim da estrada,
Do que escreves fico suspensa,
e sem perceber, minto.
Tento descobrir-te sem magoa
talvez um rosto sem cara.
Apenas quero entender
o que em ti, em mim, pressinto.

Nas tuas palavras
nunca me encontro
da tua vida não faço parte
sei apenas que entras pela escuridão
Perdida vagueio sem data....
E com as palavras que deitas ao mote
aqueço o coração
tenho medo....
não sei de que se trata.

És apenas coisa nenhuma
que enches de cores a minha noite
podes ser o poeta da vida
ou és apenas palavras sem medida.
Aquelas que me transportam para o meu canto
Aquelas que descubro com encanto
Aquelas em que o meu corpo se enrosca,
quando a luz da noite me afaga.

Palavras da noite,
flores secas,
o miar do gato lá longe
a lua de escrita tingida....
Sonhos, quadras sem nome
eu de mim...
por ti esquecida.....

domingo, 4 de julho de 2010

Soneto sem ti

Rasgo a noite no meu sentir
Passo pela vida de fachada
Rio-me com desdém de ti
Perco-me em mim cansada

Deixa-me sentir, deixa-me amar
Quero fugir do que és
Do tudo quanto me dás
Da hipocrisia quando te ris

Quero amar com paixão
Perder-me noutras mãos
Fechar a cicatriz

Quero tanto outra boca
Outros braços em mim
Fugir de ti… ser louca!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sem dor

Quero-te
Ouve-me bem
Sacia-me a vontade
Dá-me o teu amor
Tinge-me de saudade
Mata-me a ansiedade
Agarra a minha dor

Se amar é felicidade
Porque tenho no peito
Este torpor?
Porque tenho as mãos molhadas
Porque choro
Porque me escondo…
Se amar é sonhar…
Porque não sonho?

Porque vieste,
Assim pé ante pé?
Entraste em mim
sem me pedir
Agora …
Agora quero sentir
Sentir teu corpo no meu corpo
Sentir teu gosto
Teu cheiro
Teu odor

Vou amar-te?
Não sei…
Fecho os olhos
Derreto o gelo
Crio asas
Solto sorrisos
Corro para ti
Imortal
Imoral
Feliz…
Quase sem dor!!!

sábado, 5 de junho de 2010

Cristalina

A madrugada entrou
Fresca, cristalina,
E o meu corpo ainda dormente
Por uma vez só não chorou
Vi-te apenas nos meus olhos
Vi-te espectro de alguém
Sonhei-te sem saber quem
Sempre só para te amar
Como nunca te amou ninguém

Quis beber-te como de uma fonte
A luz de uma bela manhã
Bebi-te como a água límpida
A mais pura
Que refresca
Que sacia
Quis-te só para mim
Num arrepio
Num lampejo
Tal como se rouba um beijo..

Fecho os olhos
Penduro a minha alma
Quedo-me por ti
Receosa
Imprudente
Ai… e o meu desejo ?
Sente…


Na manhã cristalina
Na água da manhã

Vivo,
Acordo,
Lentamente…

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Cala-te

Cala-te….
Vai-te de uma vez…
Porque não te calas
Desaparece,
Porque quando estou
Sossegada,
Vens, agarras-me
Feres-me….
Luto contigo
Dentro de mim,
Dentro de ti!
Porque?
Porque não te afastas
Deixa-me estar
No meu canto,
Magoada
Não vês…
Que estou cega
Cansada!

Cala-te,
Peço-te,
Imploro-te
Deixa-me
Ressacada
Não venhas
Mexer na lama
Da minha vida
No sujo em que
A deixas-te.
Pérfida, ignóbil,
Triste,
Perdida.

Cala-te
Guarda a tua boca sedenta
Guarda a tua voz rouca
Guarda as tuas mãos
Que me deixam louca
Quero guardar de ti
Apenas o rancor,
Não, não quero o teu amor
De ti não quero nada
De nada!

Tanto que te dei…
Tanto que te amei..
Tanto que te senti…

Vai desaparece,
Morrer por morrer
Morro saturada!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Fera Mansa

Anda...
Vem ter comigo
Ao covil da fera mansa...
Anda, espeta a tua lança
Na minha carne já dorida.

Vem que o meu corpo
Já não sente,
Se chegas ou se partes
Porque as escaras
São tão profundas
Que me tolhem o sentir

Anda, podes vir
Passa a tua mão
Na minha pele engelhada
Estou nua, despojada
E o meu corpo
Outrora macio
Encolhesse, estremece
Tem frio

Só os meus olhos ainda brilham
Loucos, insanos
Apaixonados
Quando farejam teu cheiro
Teu sangue quente

Ai, e a minha boca, outrora ardente
Geme desassossegada,
Não foi já amor ardente
Foi apenas o teu corpo no meu corpo

Fecha a porta quando saíres...
Já não sinto nada